Diario de Tourné – Scorpions 2016 por Léo Soares

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sign-fotoMarcando a volta do blog Gigplace , estaremos publicando o diário de tour do amigo Léo Soares. Num breve resumo de quem é o Léo Soares , DRUMTECH no mais alto significado da palavra ele é realmente um técnico de bateria , o que vai muito além da concepção que temos de Roadies por aqui. No currículo dele estão bandas como Capital Inicial , Motorhead e atualmente Scorpions.
Uma peculiaridade ele é o Drumtech nada menos que o Mikkey Dee.
Vamos nessa série de posts acompanhar o dia dia de shows do Léo Soares.

Primeiro dia – Depois de uma longa viagem de mais de 30 horas como muitas decolagens e pousos , saindo de São Paulo passando Catar – Hong Kong e finalmente chegando em Taiwan onde seria o primeiro show da tour

Não vou negar estou muito cansado da viagem , vou direto pro meu quarto tentar botar o corpo e o fuso horário no lugar pois preciso estar 100% para o meu primeiro dia de trabalho terei muitos day off pela frente para turistar.

Segundo Dia – Acordei um pouco melhor que ontem , pelo menos estou bem melhor do cansaço, mas por outro lado me sinto ansioso por voltar a trabalhar para o Mikkey Dee que além de chefe , considero como amigo. Nos não tínhamos nos visto desde a morte do Lemmy, nos falamos desde então somente via Facetime e WhatsApp e em sua passagem por São Paulo com o Scorpions onde trocamos uma poucas palavras no camarim depois do show mas apenas amenidades e algumas coisas técnicas sobre bateria.
Para aumentar a ansiedade , o resto da equipe chegaria com um atraso de 15 horas ao hotel pois o voo deles que vinha da Alemanha sofreu algum tipo de problema, nada sério porém causou esse transtorno.

Terceiro Dia – Taiwan ( Primeiro Show ) Primeiro dia de montagem, além da ansiedade do dia anterior, começa a bater um certo nervosismo, motivo: há muito tempo não usava in ears ( IEM’s) e no Scorpion todos usam incluindo os técnicos , bem isso não é hora de ficar nervoso vamos lá conferir o material que o Mikkey vai usar nessa LEG* da tour , ele usará uma bateria Sonor Pro Lite ( Made in Germany ) , detalhe esse não é o kit principal dele , o kit oficial está na Alemanha e é composto de uma SONOR SQ2, pratos Paiste Signature, pedals DW6000 Single Chain, peles Evans G1 e G2 nos tons e Heavy Wheight na caixa e Emad no bumbo. As baquetas que ele usa são modelos “Mikkey Dee Signature Scorpions Logo” da Wincent drumsticks fabricadas na Suécia . Na minha opinião essas baquetas são as melhores que já pude tocar na minha vida . Elas tem um controle de balanceamento absurdo . Mesmo depois de algumas horas tocando elas não ficam pesadas na mão.

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Quanto a monitoração

Mikkey usa um JH Audio modelo Roxanne como in ears , como todos na banda . Como não havia in ears disponíveis para mim tive que correr como um louco e pedir ajuda a meu grande amigo Lazzaro Jesus que ainda em SP me falou para ir até a Audicare para pegar um In Ear modelo UMPro20 da Westone . Chegando lá o In Ear ja estava a minha espera …….alias obrigado a todos Audicare pela ajuda.

Bom começando os preparativos para show me assusto com a altura em que teria que montar a bateria . Ela fica a mais de 2,50 metros do chão , acredito que mais até. Bom ao final do drum set up , vem meu primeiro desafio que é passar o som . Quando trabalhava com o Mikkey no Motorhead era bem diferente pois lá usávamos um Drum Fill bem ignorante. Eram duas caixas J8 e uma J12 da D&B . Literalmente um P.A. Agora tentar trazer esse mesmo timbre que ele tinha com todo esse poder de fogo para dentro dos In Ear’s me parecia impossível. O Mikkey tem uma particularidde que é o uso do Reverb que dura mais de um ano. A bateria toda é afinada bem Low , com exceção dos bumbos que tem que ter um low end bem extenso . A caixa tem o timbre bem natural dela , meio difícil de descrever . Bem logo de cara percebi o quanto esses fones da Westone são incríveis. Eles me deram uma definição bem clara do som do Mikkey mesmo eu usando um modelo de dois drivers. Fiquei imaginando o com 3 ou 5 drivers … Deve ser um literalmente um CD. Bom a passagem de som é bem pratica, se resume na equipe passar o som de uma musica inteira com click e tudo mais que se tem direito: Videos Led , Intros , solos , tudo é checado nessa hora em que a equipe toca. A musica é Going Out With a Bang que é a primeira do show. Não é uma musica difícil mas ela tem seus truques, que podem derrubar qualquer batera. Mas digo que fiz bem a minha lição de casa e a música saiu bem. Para a primeira vez foi ótimo.


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Bom voltando a parte técnica no monitor temos uma CL5 da Yamaha no qual o técnico me manda quatro sinais que são o L/R , o Click e o Shaker que é o Buttkicker.
Esse sinais são enviado através de um multicabo e chegam a um submixer no qual posso controlar o ganho dos sinais de L/R e Click . Os microfones usados na batera são os Sennheiser’s E604 para quase toda a batera. Usamos o mesmo microfone na caixa tanto no top quanto no bottom, e vou falar, funciona muito bem. Algumas infos sobre os outros mics vou ficar devendo pois os mics do bumbo e os de pratos não tem nenhuma marca ou são similares a algum que eu já tenha trabalhado. Depois tiro fotos e vocês tentam descobrir, como em um quizz ……mas vou logo avisando não tem prêmio, risos. Bom, como já conheço bem o que o Mikkey gosta de escutar, meu trabalho ficou bem mais fácil para os outros shows, pois iriamos usar a mesma mesa em todos os shows.
Ok , show foi realizado em uma Venue* muito legal localizado dentro de um pavilhão e foi lotado (Sold Out ). Produção local impecável. Noite mais que definida com um 10.

Próxima parada Japão. 02 shows em Tokyo e um em Osaka.

Quinto Dia – Depois de um day off, e de finalmente ter tempo de conhecer todos da equipe, pois afinal sou o único não nascido na Alemanha , chegamos a Terra do Sol Nascente. Tenho uma grande afinidade com a cultura japonesa. Adoro sua cultura e sua comida. Mas vamos falar um pouco resumido desses três shows no Japão. No primeiro show fizemos em uma Venue muito estranha …..com o palco muito curto para toda a extensão do Riser* que fora ter os seus 2,50m de altura tem mais de 10m de comprimento com quase 5 m de profundidade em algumas partes. Bom na passagem de som tive meu primeiro problema ( e até momento o único ) da tour pois o amplificador do In Ear do Mikkey ao clipar entrava em modo de proteção. Ele desarmava a todo momento que rolava um overload no input do amp, bastava vir um pico de sinal como o sinal da caixa da batera que é muito mas muito alto que a média. Bom nesse dia resolvemos usar um outro amp que temos e que não apresentou o mesmo problema, mas para isso tive que me sentar com o Mikkey e explicar que muito sinal no Input poderia parar o equipamento caso não fosse feito a troca, e que ele ficaria sem nada, inclusive click por mais de 5 segundos, o que na musica é uma eternidade. Pedido do drumtech aceito  fizemos o show sem qualquer problema.

Sétimo Dia – Dois dias depois do último show tivemos um soundcheck e montagem no Festival LoudPark 2016. Dois palcos gigantes dentro da Saitama Arena, e de impressiona o tamanho dessa arena. No nosso palco teve as bandas Exodus , Children Of Bodon , e como headliner* Scorpions . No outro palco tinha Dokken, Blind Guardian, Queensryche entre outras bandas . Vou dizer que fiquei impressionado com duas coisas: a quantidade de carregadores que sabiam o que tinha que fazer e com a quantidade de backline para as bandas que tocariam nessa noite, bem como a quantidade de roadies para cuidar desses backlines . Mais um show tranquilo o que me deixou extremamente feliz .

Nono Dia – Mais um day off e seguimos para Osaka via trem bala. Como os dois shows em Tokyo ocorreram sem problemas imaginei que em Osaka não seria diferente. E é nessas horas que você acha que já esta tudo 100% tranquilo que vem os erros. Excesso de confiança. Em Osaka cometi um erro primário que foi fazer uma afinação mais High do que o de costume. Pode ser que porque a sala era toda em madeira tipo um teatro moderno que acabei por me enganar com a afinação. Nos In Ears ela estava soando muito bem, mas aí veio o terror. O ar condicionado do teatro foi ligado a uma temperatura meio que glacial, o que acabou por fazer a pele da caixa mudar completamente a afinação. Ou seja, samba do batera doido, para arrumar a afinação entre uma música e outra. Resolvido problema, e depois de ter levado uma bronca de leve do Chefe, o show foi chegando ao seu final sem mais problemas. Bom “So Far So Good” ou em bom português “Até agora tudo certo”.
Agora pegar um longo voo até a Ilha de Nova Caledonia para chegar a cidade de Noumea, e aguardar a próxima aventura. Ahhhh só para constar estamos no decimo quarto dia da tour e logo mais vamos chegar a metade dessa perna . Logo mais darei um update da tour para vocês . Um grande abraço.
Perguntas são bem vindas , mandem ai nos comentários pode ser que demore um pouco a responder mas prometo responder a todos.

Leo Soares – Drum Tech
Atualmente em tour com Scorpions

Glossario
LEG – Trecho da Tour , Perna da Viagem
Venue – Local onde o show é realizado
Riser – Conjunto de praticáveis que formam o palco
Headliner – Banda atração principal do show.

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Filed Under: CarreiraEntrevistasNoticias

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