O futuro das Terças Técnicas. Você faz parte disto ?

IATSE POST

Alguns movimentos tem vida própria e são uma evolução natural das profissões, uma necessidade orgânica de se organizar como classe , vou fazer neste texto um breve comparativo com a IATSE – International Alliance of Theatrical Stage Employees, sindicato que cuida dos profissionais do backstage de lá.

A IATSE surgiu para defender e organizar o mercado americano dos profissionais técnicos dos teatros e shows itinerantes nos USA , do teatro surgiram os shows modernos como nós conhecemos hoje. Como tudo na vida o maior motivo para se organizar foi a valorização da mão de obra. Os profissionais notaram que se organizados poderiam barganhar melhores pagamentos por seu trabalho e também evitar que qualquer um fosse trabalhar no mercado de teatro por qualquer valor.

Vejamos a situação do mercado na época da fundação da IATSE.

Em 17 de julho de 1893, sete homens em Nova York reuniram-se pela primeira para fundarem a Aliança Nacional de Theatrical Stage Employees. Antes de se organizarem , eles recebiam cinqüenta centavos de dólar por dia, e muitas vezes tinham que trabalhar em outros funções , independentemente de suas habilidades ou seja estar habilitado para tal.

Alguém nota alguma semelhança com nossa situação atual ?

Os cachés para viajar em tourné em 1896 eram de US $ 25 ( vinte e cinco dólares )  por semana para contra regra e $ 20 ( vinte dólares ) para assistente. A união cresceu rapidamente com a criação de associações locais que começaram a surgir em todo o país. Em 1902, tornou-se uma aliança internacional com a adição de duas associações canadenses. Em 1903, o local 4 divisão do Brooklyn conseguiu estabelecer um cachê para contra-regra de US $ 35 ( trinta e cinco dólares ) por semana.
Com o crescimento das estradas de ferro no final do século 19 , os shows itinerantes passaram a crescer tanto no seu alcance, quanto na quantidade de pessoas necessárias para fazer o show funcionar na estrada. Para se ter uma ideia do cenário da época , 420 companhias viajavam pelo país , com grande quantidade de cenários e equipamentos. E para que tudo funcionasse perfeitamente foi necessário a especialização, ou seja os que antes eram somente contra regras passaram a ter funções especializadas. E serem remunerados diferenciadamente de acordo com a tabela da associação.
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O futuro dos encontros técnicos
Tal e qual o pessoal do teatro dos USA no século 19 , nos do mercado de show ao vivo , percebemos ou sentimos a necessidade de nos organizar. Este é um processo natural do segmento , e vai além da nossa vontade individual e/ou do desejo de nossos empregadores. A especialização faz se necessária , não impede que um profissional tenha múltipla especializações porém somente alegar que faz esta ou aquela função para matar um cachê não será mais permitido pois você será cobrado da sua associação o exercício legal das suas funções o que será um avanço tanto para você quanto para quem te contrata.

O caminho
Como podemos perceber o caminho já está traçado estamos seguindo o FLUXO como os jovens falam hoje em dia. Mas é notório que precisamos estabelecer metas, e o encontro entre as lideranças das terças técnicas se faz necessário, creio que isto irá acontecer na próxima AES , aonde deverá ser discutido o que queremos para o nosso segmento. Precisamos formalizar a associação em algum momento, e eleger representantes que levarão nossos pleitos aos órgãos existentes seja ele: SATED , AES ou mesmo nossos governantes.
Em algum momento iremos ter que contribuir para manter a associação, lembro que somente votar no representantes e pagar o valor da mensalidade que sustentará a entidade não irá garantir nenhuma mudança aos mantenedores da associação, a participação efetiva das decisões e ações será a chave para conseguirmos nossos objetivos.
Acho que aprendemos com a nossa história recente o que acontece quando não fiscalizamos nossos representantes.

O Futuro
Meio clichê, mas o FUTURO está em nossas mãos, e para que as mudanças aconteçam precisamos unificar as ações e reações de norte a sul do país, mesmo que respeitando as diferenças regionais coisas como contrato básico de trabalho com direitos e deveres estabelecidos já será um grande avanço tanto para que contrata como para quem é contratado. Se só isso numa primeira fase for estabelecido como regra , já se resolveria inúmeros problemas que ocorrem no dia a dia. Bem que o FLUXO siga o seu caminho é as mudanças aconteçam espero que a AES 2016 rendam bons frutos.

Lazzaro Jesus

 

Fontes de Pesquisa
https://en.wikipedia.org/wiki/International_Alliance_of_Theatrical_Stage_Employees

http://iatse.net/

http://uniontecnicos.blogspot.com.br/

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Comments (2)

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  1. Emidio Braga says:

    Caro Lazzaro Jesus não havia melhor hora para abordar esse assunto que a todos interessa. Parabenizo pelo belo e cuidadoso texto, más sobretudo pelo conteúdo contundente. É hora de pararmos de falar em nosso mercado na terceira pessoa, afinal nós fazemos o mercado, e assumirmos a responsabilidade de discutirmos e equacionarmos esses problemas. Digo tirou as palavras da minha boca…

  2. Igor Pimenta says:

    Bem lembrado

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