Aúdio Distorcido ou Não ? A ESCOLHA É SUA!

Screen-Shot-2014-07-11-at-1.25.56-AM_0

Olá a todos da comunidade Gigplace. Espero que estejam bem.
Tenho uma pergunta inicial importante a fazer logo no início da nossa conversa: Já ouviu sua distorção inesperada de hoje?

Pois é, algo que se tornou muito frequente nos dias atuais é a distorção digital que aparece de surpresa num trabalho (e o que mais me espanta é perceber que existem pessoas que não se incomodam com isso), mas essa surpresa é por culpa do fabricante, pela falta de padrão ou de quem usa a ferramenta?

Existe uma frase muito conhecida entre os membros da AES dos Estados Unidos que é: “We like to have standards, that’s why there are so many of them.” (“Nós gostamos de padrões, é por esse motivo que existem tantos por aí.”)

Vamos pensar no padrão analógico, num processo de estrutura de ganho inicial simples, que é combinar o nível de sinal com o ganho do pré-amp para se conseguir 0dB no medidor de barra (meter) ao se manter o PFL ligado do respectivo canal e repetindo o passo em todos os canais que serão utilizados. Até aí nenhuma novidade pra maioria dos leitores, mas aí vem a pergunta principal: Por que tem que ser 0dB no meter?

Pois bem, precisamos lembrar que Decibel é sempre um valor comparativo para qualquer coisa, até mesmo ao pedir pão na padaria. Por exemplo, se eu peço 4 pães todos os dias é criado um valor de referência para o padeiro. Se eu pedir +3dB (2x) de pão em algum dia, naturalmente o padeiro vai me dar 8 pães (se ele for formado em engenharia ou cálculo, claro, rs). Se ao invés disso outra pessoa que costuma pegar 20 pães por dia pedisse +3dB de pão para o mesmo padeiro num certo dia, ela receberia 40 pães (mesma relação de dobro). Conseguem perceber o que é mais importante neste exemplo? O valor real em Decibel SEMPRE vai depender de uma REFERÊNCIA.

Saindo da padaria e voltando para o seu show / evento. Afinal, o que seria o 0dB no medidor? É o nível ideal pensado pelo fabricante para se trabalhar naquele circuito, respeitando o nível de ruído e a margem de segurança (Headroom). Existe algo no áudio chamado “Nível Operacional” dos equipamentos analógicos. São dois padrões históricos: +4dBu e -10dBV (níveis em volts de 1,23VRMS e 0,32VRMS, respectivamente), porém nos equipamentos atuais é muito comum encontrar apenas o padrão 1,23V, e é exatamente este o nível ideal para se trabalhar no circuito. Quando o seu meter bate em 0dB significa que o sinal está adequado para o equipamento, possuindo margem de segurança e ficando longe do nível de ruído, simples assim.

Bem, e no mundo DIGITAL 
Mas e no digital, como isso funciona? Aí a conversa fica mais interessante, pois o Decibel digital não é padronizado pelo nível operacional dos equipamentos, mas pela sua faixa dinâmica inteira, ou seja, pelo nível de distorção (clipping). Em TODOS os equipamentos digitais existe apenas uma referência em comum: 0dBFS – que geralmente significa distorção. Não existem valores acima de 0dBFS pois não existem bits acima deste valor para se trabalhar. Vale lembrar neste caso que a distorção digital possui apenas harmônicos ímpares, e é por isso que incomodam demais o sistema de áudio e o ouvido do ser humano também, pois sua forma de onda é praticamente quadrada, ou seja, EVITE-A SEMPRE!

Neste ponto algum leitura pensará : “Matheus, afinal, quando se trabalha no digital, onde fica o headroom?”

Podemos dizer que o digital “democratizou” o headroom, pois você pode ter o headroom que você quiser. O fabricante até sugere pelas cores dos LED’s nos medidores (entre -20 e -14dBFS), porém esta é uma escolha exclusiva de quem utiliza o equipamento. Infelizmente na estrada não encontramos processadores de PA com sua entrada calibrada num nível comum com o console e outros equipamentos, porém é possível realizar esse procedimento de forma simples: Todo fabricante sério disponibiliza uma tabela que referencia o dBu com dBFS naquele equipamento no diagrama de níveis (Level Diagram), geralmente no final do manual. Existem equipamentos digitais que trabalham com +30dBu = 0dBFS, outros com +24dBu, outros com +22dBu e os mais simples e baratos que referenciam em +18dBu. Veja qual é o equipamento digital da cadeia que possui o menor valor e referencie à partir dele. Exemplo:

Num sistema, um processador de PA possui referência em +20dBu, já a mesa digital se referencia em +30dBu, e o amplificador digital em +22dBu. Onde devo trabalhar na minha mesa para se ter uma margem de segurança de 10dBs? A resposta seria -20dBFS. Pois em toda a cadeia, existe uma diferença de 10dBs entre a mesa e o equipamento com menor valor (neste caso o processador de PA), ou seja, 10dBs de headroom + 10dBs da diferença entre a mesa e o processador. Se quiser trabalhar no console em -18dBFS não existe problema também, mas lembre-se que neste exemplo citado o headroom do sistema cai para 8dBs.

Conheço operadores que gostam de trabalhar com o sinal mais alto, quase clipando (distorcendo) por querer um som “mais quente”, porém muito cuidado, a distorção é iminente à qualquer momento, e estou falando de distorção DIGITAL, não é a mesma sonoridade de distorção harmônica de válvula ou de transformador de saída de prés externos, estou falando de ONDA QUADRADA. É como dirigir um caminhão numa estrada com um precipício e escolher dirigir próximo dele por achar que a estrada é “menos esburacada”, porém te digo uma coisa: ela já foi no passado, mas não é mais. Veja os níveis de ruído de 24 e 32bits na tabela abaixo, existe muito espaço para se trabalhar com o sinal sem perigo de distorção e BEM LONGE do ruído, ao contrário dos 12 e 16bits do passado.

02 Gigplace fig1

Beira do abismo ou segurança, a escolha agora é sua.

Quer adicionar mais informações à discussão? Fique à vontade e comente aí embaixo sobre suas experiências..

Muito obrigado pela atenção e até a próxima! Isso é, se você ficar longe do abismo. (risos)
Sign 001

 

Share

Filed Under: ArtigosMatheus Madeira

Tags: , , , , , , ,

Leave a Reply




If you want a picture to show with your comment, go get a Gravatar.

*