Os DCA’s e sua importância nos musicais.

Salve salve rapaziada do GigPlace!
Quando pensei sobre o tema para a coluna desse mês, acabei me lembrando de um episódio que presenciei logo em meus primeiros anos de carreira com o teatro musical.
Um técnico de som, acostumado a fazer P.A. para grandes bandas, acabou assistindo a “minha operação” do musical e eu me lembro que ele me disse as seguintes palavras :
– Vocês são malucos! Isso que vocês fazem é coisa de outro mundo! Um mundo paralelo, completamente diferente do que eu estou acostumado no meu dia a dia!
O espanto dele a princípio me pareceu um tanto quanto exagerado, mas ao parar pra pensar naquilo que ele estava me dizendo, acabei entendendo as palavras dele, e percebi o quanto o nosso ramo do áudio profissional é amplo, e como cada pessoa pode ter uma determinada forma de trabalhar, afim de facilitar o seu trabalho de forma geral.
Neste caso específico que mencionei, toda a surpresa dele ocorreu devido ao intenso abre e fecha de DCA’s durante a peça!
Vamos aos detalhes :
– Em um musical de grande porte, é comum que as mesas digitais (geralmente com 96 inputs, ou mais) tenham mais de 80 cenas (também chamadas de cues) com diversas programações em cada cena.
– Em cada cena, é possível gravar os níveis de fader, equalizações diferentes para cada canal, de acordo com a necessidade cênica, mandadas, tempos de reverb, disparar efeitos via midi por troca de cena e o fundamental para a operação do dia a dia : a programação dos DCA’s.
– Os DCA’s são programados de forma que os microfones dos atores que estão em cena, ou que estarão na cena seguinte, estejam sempre na mão do operador. Dessa forma, o operador tem a obrigação de abrir o DCA correspondente ao microfone de um determinado ator instantes antes da sua fala começar, e de fecha-lo instantes após a fala do ator terminar! E assim sucessivamente, para que nenhum microfone de ator que esteja em cena fique fechado, e nenhum microfone de quem está fora de cena fique aberto. (não queremos um microfone de um ator que está no meio de uma troca de figurino na coxia vaze no P.A, certo?)
– Todos os microfones são abertos manualmente, DCA por DCA! Nada de trocas de cena com os DCA’s já abertos e “presetados” em determinado volume. Isso faz com que toda a dinâmica de operação seja perdida, e volumes muito bruscos possam aparecer de forma repentina, ou volumes muito baixos possam fazer com que partes importantes sejam perdidas. Nesse caso, a soma dedo + fader do DCA é sem dúvida a melhor opção.
– A programação dos DCA’s é sem duvida a parte mais trabalhosa do processo de programação da mesa para um espetáculo musical, pois envolve um trabalho direto com o diretor geral do espetáculo, que auxilia com a informação de quem participa de qual cena, além de um trabalho conjunto com o diretor musical, para que nas partes musicais, os atores que cantam determinadas linhas estejam com o microfone aberto e equilibrados com o restante do coro.

Para ilustrar esse post seguem três arquivos que mostram isso :
– A Cue list do espetáculo Rita Lee Mora Ao Lado da DiGiCo SD8 , que mostra a quantidade de cenas utilizadas :

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– Um vídeo de um americano chamado Sam Johnson que trabalha em grandes espetáculos da Broadway operando o musical Les Miserables . Através desse vídeo da pra ter uma ideia da complexidade e responsabilidade da operação do áudio em teatro musical.
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– Um vídeo feito por mim durante a operação do Musical CATS, realizado no Teatro Abril em 2010 com a saudosa PM1D

Qualquer dúvida ou sugestão, favor entrar em contato pelos comentários ou através do meu facebook pessoal!

 
Bocutti Icon

 

Até uma próxima!

  Gabriel Bocutti
 
 

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