Wireless Workbench 6 Guia Prático por Igor Del Ventura – Parte 2

Olá estamos de volta essa semana falaremos sobre Frequency Coordination ( Coordenação de Frequências ) caso esteja lendo sobre o Workbench 6 pela primeira vez aconselho a leitura do artigo da semana passada CLIQUE AQUI.
Igor Del Ventura

Scan
O WWB 6 é capaz de realizar uma varredura no espectro de frequências de 470 a 952MHz através dos seguintes equipamentos AXT600 (Axient Spectrum Manager), AXT400 (receptor Axient), UR4 (receptor UHF-R), ULXD4 / ULXD4D / ULXD4Q (receptores ULX-D) e P10R/P10T (receptor e transmissor PSM1000). Todos os equipamentos devem estar em rede para que seja possível o scan, e o scan estará limitado à banda dos equipamentos. Caso você tenha equipamentos em múltiplas bandas, é possível usar o scan de cada um deles para termos uma melhor ideia do espectro. Mas o ideal, quando trabalhamos com múltiplos equipamentos é ter o AXT600, pois ele te dá o scan de 470MHz a 952MHz, englobando praticamente todos os equipamentos sem fio mais comumente utilizados para shows.

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DICA: Para fazer o scan pelos sistemas de microfones sem fio é mais fácil, pois o receptor está em rede. Com o sistema de monitor pessoal PSM1000 temos um passo adicional. O receptor é o bodypack, portanto, temos que fazer o scan com o bodypack, sincronizar o transmissor via infra-vermelho com o receptor, para assim passar as informações de scan adquiridas pelo receptor ao transmissor para que este possa se comunicar com o WWB 6.
Lembre-se que o espectro de RF é dinâmico, e idealmente, deve ser feito um scan antes dos shows pois com certeza surgirão novas frequências devida a, por exemplo, a presença de imprensa. Também lhes recomendo checar se todos os seus tansmissores estão apagados na hora de fazer o scan, para ter mais “espaço” no espectro.
O scan é mandatório quando trabalhamos em grandes eventos, pois é parte essencial do processo de Coordenação de Frequências, que abordaremos logo mais. Trabalhando desta maneira, nós conseguimos ver o que há no espectro, para poder escolher as melhores frequências compatíveis.

WirelessWorkbench2

Coordenação de Frequências
É um processo que tem como finalidade fazer com que os equipamentos sem fio trabalhem em conjunto de maneira transparente e segura, garantindo um bom andamento para o espetáculo. O processo é minucioso, e vai desde a checagem da parte física da instalação até o cálculo das frequências mais apropriadas. Tive a felicidade de conduzir e coordenar com sucesso vários eventos como o Festival de Viña Del Mar, Copa das Confederações FIFA e Copa do Mundo FIFA, além de outros importantes festivais na América Latina.
Vamos agora destacar os principais pontos de atenção para que possamos fazer uma coordenação de frequências:
– Antenas: posicionar as antenas bem, com linha de visada direta às antenas dos transmissores ou receptores que estão no palco. Não devem haver obstáculos condutores (metais, pessoas) no caminho para garantir a menor atenuação possível. Sempre utilizar antenas de meia onda, e observar o diagrama de radiação das antenas (padrão polar) para obter a cobertura ótima. Sempre devemos manter as antenas afastadas de fontes de interferências, tais como painéis de LED. Sempre utilizar duas antenas em receptores (microfones sem fio) e uma para transmissores (in-ears). As duas antenas dos microfones são importantíssimas, pois lhe garantem o ganho por diversidade de antenas. Para que esse ganho seja garantido, devemos respeitar uma distância mínima de ¼ de onda, idealmente uma onda. Caso não queira calcular, de maneira prática, basta que você coloque as antenas receptoras separadas pelo próprio tamanho das duas, pois as antenas são proporcionais ao tamanho do comprimento de onda das frequências que as mesmas trabalham. Uma separação de um metro é mais que suficiente. Podemos separá-las mais que isso se necessário, mas não aportará ganhos consideráveis. Sempre observe que antenas transmissoras e receptoras estejam afastadas (2 ou 3 metros é uma distância segura) e que elas não estejam apontando uma para a outra.
– Cabos coaxiais: sempre utilizar cabos de 50 ohms (não usar nunca cabos de vídeo!) pois esta é a impedância de todos os sistemas sem fio usados em áudio que tenho conhecimento. Também é a impedância das antenas que utilizamos. Todas as impedâncias devem ser as mesmas (denomina-se casamento de impedâncias) para ter a MTP (Máxima Transferência de Potência). Uma escolha errada de impedâncias irá lhe levar a perdas por onda refletida e estacionária, o que pode comprometer seu alcance e robustez de RF. Caso alguém amasse o cabo, irá alterar a impedância do mesmo, significando que devemos adquirir outro cabo, ou encurtar o mesmo, cortando-o antes do ponto da “lesão”, e refazendo os conectores apropriadamente. Outro ponto importante é o uso do cabo com a menor atenuação possível. Muitas vezes somos tentados a comprar o cabo mais barato, mas isso pode sair caro. Todo fabricante fornece a tabela de atenuação dos cabos, que é informado em dB/m ou dB/10m. Basta usar uma simples regra de três, e verificar que sua perda esteja idealmente abaixo de 5dB, no máximo alcançando 10dB. Neste último caso, recomenda-se usar uma antena ativa, como por exemplo a Shure UA874 ou um booster (UA830) colocado junto à antena (nunca junto ao rack ou ligando cabos) para compensar as perdas do cabo. Mas não vá achando que podemos colocar vários boosters para compensar um cabo inadequado de alta perda, pois iremos elevar o ruído de piso de RF e não adiantará o uso dos boosters.
– Distribuidores e combinadores de antena: quando estiver trabalhando com mais de um sistema, é obrigatório o uso de distribuidores de antenas (para receptores de microfones sem fio) e combinadores (para transmissores de monitores pessoais) de maneira a evitar problemas como intermodulação e interferência por oscilador local. Estes são inimigos invisíveis que podem lhe dar uma bela dor de cabeça.
Uma vez garantida a parte física, nos resta calcular as frequências ativas e de backup para nossos equipamentos. Podemos usar o WWB para coordenar as frequências de maneira simples e rápida em 3 passos:
1 – Inventário: devemos adicionar à seção Inventory todos os equipamentos e frequências de backup que iremos utilizar.
2 – Scan: podemos usar o botão Frequency Plot para escanear o espectro com dispositivos compatíveis.
3 – Calcular: uma vez que temos os dados dos equipamentos e do espectro de RF, o software se encarregará do complexo cálculo matemático, enviando para os equipamentos que estão em rede as frequências ideais. É incrível observar que o sistema Axient enviará as frequências também para seus transmissores. Nos demais sistemas Shure em rede, bastará um sync para terminar o processo. Nos demais equipamentos, será necessária a configuração manual, porém a labor mais demorada e trabalhosa foi toda feita pelo WWB.
A partir desse momento, você estará tranquilo para iniciar o Show!
DICA: nunca utilize as frequências que calculou em vários shows. Cada novo show será em um local diferente, e poderá ter frequências externas diferentes. Reutilizar frequências é uma prática perigosa, podendo levar a problemas. Lembrem-se: show novo, coordenação nova.

Bem até agora já aprendemos a dar entrada no programa os equipamentos de RF que usaremos, e o que outras equipes irão usar no nosso evento, também aprendemos a scanear o ambiente para determinar o NOISE FLOOR ( nível de interferência eletromagnética / ruído )
Com esses dados o Workbench 6, ira calcular quantas frequências livres poderemos usar e irá enviar essas frequências para os equipamentos ligados em rede, podemos também dar entrada manualmente em cada aparelho. Porém  trabalho não termina ai … Semana que vem aprenderemos a monitorar o uso das frequências durante o evento… Mas isso só na semana que vem até lá

Igor Del Ventura
Gerente de Desenvolvimento de Mercado – América Latina, Shure Inc.

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