Pra que Mesa Digital ?

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Cue Shet – mutos jovens do áudio num viram isso

Como todos sabemos, nos bate papos entre os técnicos sobre consoles digitais, a pergunta é sempre a mesma: O PRÉ é bom ?
Eu venho escrevendo em artigos anteriores sobre outros fatores que deveriam ser considerados, como por exemplo as maneiras em que cada console trabalha no processamento do áudio, conversão, workflow e etc…

Mas proponho a todos uma reflexao: Porque de fato foram criadas as consoles digitais?
Eu particularmente vejo que a principal visão dos técnicos, produtores e empresários ao entender a necessidade de uma console digital, foi o fato de que não era mais preciso ter racks e racks com compressores, gate, reverbs equalizadores e etc.
Ou ainda a mais simplista: Não precisa mais passar som …

Por volta de 2005 em um treinamento que eu participei com o na época engenheiro a mais de 20 anos na empresa Norte Americana Clair Brother e Engenheiro de áudio da cantora Shania Twain, ele nos perguntou, quantas cenas você usa em seu show?
Claro que a resposta foi unanime, de todos na sala !!! UMA.
Ele retrucou no ato dizendo “Então, vocês não precisam de um console digital para fazer um show com uma única cena”, e em seguida ele fez uma demonstração de seu show onde ele usava até 6 cenas por música.
A console digital nasceu na busca de trazer a automação usadas no estudio de gravação para os shows ao vivo e ter toda a facilidade de routes e customização nos comandos e parametros.
Um exemplo disso são a disposição dos faders na superficie de controle..
Hoje ainda usamos um console digital com o pensamento no tempo do analógico. E tudo bem se você faz o seu trabalho desta forma, mas podemos fazer mais do que isso, pois a tecnologia nos dá essa liberdade.
Ao trocar de cena em uma console, você não precisa exatamente trocar todos os parâmetros, em alguns consoles, ao fazer o recall de uma cena, você pode programar esse recall para um único parâmetro ou mais, como por exemplo fazer o recall apenas da equalização de um instrumento, ou trocar os bancos de Reverbs as possibilidades são vastas e só depende da sua criatividade.
Uma parte muito simples mas que pode ser a diferença em seu show, é fazer algumas cenas com troca das disposição dos faders, deixando a disposição naquele momento os faders que você mais usa em cada música.
Por exemplo:
No começo do show temos a banda atacando com vigor e disposição, o arranjo é rico e eu tenho alguns canais do qual eu preciso mudar alguns parâmetros, como Pan, amplitude e talvez pilotar alguns Delays.
Eu posso então fazer a primeira cena com esses faders do qual eu mais uso estando no meio do console, ou em uma parte do console onde eu fique mais a vontade em pilotar.
Ao fazer um novo Recall, eu não necessito mudar todos os parâmetros, e sim mudar apenas os meus bancos de faders, tendo sempre em mãos os faders que eu uso mais em cada música.
Resumindo, eu posso customizar os bancos de fader para ter sempre os canais que eu mais uso, e ao fazer o recall de cada cena eu consigo fazer o recall apenas dessa parte do console.
Se por acaso não for necessário essa automação, você pode colocar os faders de maneira da qual o seu trabalho seja mais fácil, como por exemplo, os principais canais de bateria, ao lado o master de reverb da bateria, os principais canais de harmonia, um DCA, a voz principal e ao lado da voz principal o delay do qual eu uso o tempo todo!
Como disse possibilidades infinitas.
Eu sou simplesmente apaixonado por console analógicos, mas será que em pleno seculo 21 nós sabemos o que queremos com tanta tecnologia na mão?
A saudade das consoles analógica é nostalgia e não pode ser um inpecilho de se usar o que de melhor o digital nos propicia ?
Espero que tenham gostado, comentem, e sugiram novos temas…

Kadu

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Filed Under: Kadu Melo

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Comments (17)

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  1. rodrigo says:

    Po eu sou tec. Humilde trabalho com a Yamaha mg 24 e tiro um som um pouco melhor do que o pessoal que usa a 01v96 acho desnecessário sendo que eles usam uma cena só! Bom fica minha humilde opinião!

  2. Marcelo says:

    Boa noite,certa vez em um festival aonde tocaram 28 bandas em uma tarde aonde e à noite seria transmitido pela tv,estava usando mesa digital no monitor,cada cena para cada banda,funcionou muito bem,sem a mesa digital sem chance,grande abraço a todos.

    • Kadu Melo says:

      Tudo bem Marcelo? Obrigado por participar.
      Eu concordo com você, sem sombra de dúvidas o console digital tem muito a favor, e foi isso que eu quis dizer, sobre mais uma função que não usamos e que talvez alguém possa vir a usar.
      Esse tipo de cenário (festivais) hoje são praticamente impossível não a usa-las.
      Como disse o Paulo Farat, o nosso tempo de passagem de som e de sound check foi trocado por economia na logística. E isso é fato.
      Mas não podemos esquecer do que ainda poderíamos fazer com um console analógico e o que podemos fazer mais do que fazemos com um console digital!
      Um forte abraço!!!

  3. Lourival says:

    Quem está na estrada e depara com todo tipo de sistema sabe dar valor às consoles digitais principalmente pelo fato de poder ajustar todo o setup em segundos, fora tudo que o Kadu falou e que eu concordo em 100%. O necessário e o desnecessário são relativos e dependem do ponto de vista. Consoles digitais antigos ainda hoje fazem surpresas justamente porque não nos atentamos em estudar com mais afinco ou pelo menos tentar entender qual sua proposta. Sou bastante a favor do digital, sem deixar de dar valor a equipamentos analógicos que ainda terão talvez por décadas, lugar garantido nos estúdios e em alguns racks que vão pra estrada diariamente.

    • Kadu Melo says:

      Tudo bem Lorival?
      Você disse algo muito verdadeiro, antigamente na estrada nós sofríamos muito com as condições dos consoles e muitas vezes a falta ou qualidade de periféricos…
      Com certeza o mundo digital nos afastou desse problema, mesmo hoje encontrando consoles digitais em má estado de conservação.
      O simples fato de podermos fazer um pré ajuste através de software e chegar ao local do show com a lição de casa feita, é algo de muito alívio.
      Eu não acho que o analógico tenha que deixar de existir, muito menos acharmos que o digital é tudo o que temos na vida! 🙂
      Mas é muito legal quando conversamos com amigos e descobrimos um jeito novo de trabalhar.
      Esse bate papo é muito importante!
      Bons sons!!!

  4. Moyses Vaz says:

    A não ser que fique fixa em um local ou que tenha roadies e roadies experientes pra entregar tudo insertado, montado, lindo, e não se use esse tipo de automação “pré-moldada” Ai sim eu vejo vantagem, o grande problema é que alem de todo o trabalho extra, o custo de uma mesa analógica top + periféricos supera o dos modelos digitais que atenderia com folga a necessidade. O som da analógica pode ter suas peculiaridades, mas tem muita coisa que pode influir muito mais no resultado final que a conversão ad/da e infidelidade de alguns plugins. Na minha opinião (sou um tecnico iniciante, grandes chances de estar errado, mas..) não vale a pena utilizar analogica na grande maioria dos casos.

    • Kadu Melo says:

      Tudo bem Moyses?
      Verdade, é complicado hoje obter uma logística de um console analógico, e eu não diria ter Roaies a disposição para se fazer todos os inserts corretamente, e sim engenheiros de sistemas que tomem conta do house (FOH/ Monitor) com o respeito que se deve.
      Não quis dizer que, a caso não use mais de uma cena que seria obrigado a usar um console analógico, mas sim o pensamento do que devemos ou poderíamos fazer a caso fosse possível.
      E a maior ideia da matéria escrita, é passar para aqueles que não conhece outras maneiras de se utilizar um console digital.
      Talvez a possibilidade de se usar cenas em músicas não caiba na maioria dos casos hoje em dia, mas quem sabe ao ler sobre isso, os nossos colegas de profissão não tenha uma nova ideia e consiga inovar mais uma vez o seu conceito?
      E por favor (sou um tecnico iniciante, grandes chances de estar errado, mas..) todos temos grandes chances de estarmos errado ou não, o que importa é estarmos aqui trocando figurinhas! 🙂
      Bons sons!!!

  5. Matheus Madeira says:

    Acho interessante levantar o assunto sobre as possibilidades da ferramenta. Por exemplo: se um instalador possui uma caixa de ferramentas e apenas usa a chave philips em todas as instalações, pra quê levar a caixa toda?

    Acredito que a gente pode se deparar em situações em que apenas o digital proporcionará as soluções de flexibilidade, principalmente quando o assunto é patch.

    E não vamos nos esquecer do áudio via rede, que ainda é uma incógnita na cabeça de muita gente, mas que pode ser a solução da sua vida, caso seja bem utilizado.

    Grande abraço!

    • Kadu Melo says:

      Tudo bem Matheus?
      Muitas coisas boas os consoles digitais estão nos trazendo, não só os consoles, mas todo o workflow de um sistema.
      O mundo do áudio via cabo de rede, pode nos trazar a paz de termos uma estrutura de ganho perfeita e sem chance de erro.
      A liberdade de router e de patch nos trás outro e um novo mundo.
      E o seu exemplo foi maravilhoso, (Por exemplo: se um instalador possui uma caixa de ferramentas e apenas usa a chave philips em todas as instalações, pra quê levar a caixa toda?) Concordo plenamente.
      E ok se você não usa muitas ferramentas mas o seu resultado é musical, na verdade as vezes eu gostaria que as pessoas pudessem usar menos ferramentas e ouvissem mais.
      Obrigado pela a sua participação.
      Bons sons!!!

  6. jonnas calor says:

    Boa kadu sem contar que não veio só as consoles digitais tem tambem processadores amplificadores tudo com saida digital VC liga seu sistema quase todo usando um sinal digital e convertendo apenas uma vez do mic pra mesa, acredito que as digitais estão chegando cada vez mas próximos das analógica em questão de pré, fora a praticidade que elas nos trás.se falei besteira me corrija rs,abraços

    • Kadu Melo says:

      Jonnas! Obrigado por participar.
      Eu não diria que as digitais estão chegando perto das analógicas na qualidade de Pré-Amp, até mesmo porque o Pré-amp é analógico.
      O que vai diferenciar e muito é como todo o console trabalha esse áudio depois do Pré-amp, conversores, processadores, bits, samples e etc…
      Só para você ter uma ideia, existem consoles digitais que trabalham com processamentos diferentes em bits de entrada com bits de saída, eu disse processamento e não conversão. :O
      Isso já trás uma característica para esse console.
      Talvez um dos maiores erros nos consoles digitais e qualquer outro sistema digital foi, tentar fazer com que o digital soasse como o analógico, então seria mais fácil você obter um sistema analógico.
      Eu acredito que o digital cresceu e cresceu muito, e hoje nós já sabemos o que queremos do digital, nos trazendo uma nova era e conceitos.
      O que importa mesmo é, a música ser a música e nós sermos felizes por isso.
      Digital ou analógico? Como diz o meu patrão: O que importa é a gente ser feliz!
      Bons sons!!!

  7. Paulo Machado says:

    Meu caro amigo Kadu, concordo plenamente com você, uma detalhe interessante a si pensar é o seguinte:
    me lembro que ultilizavamos mais de 3 consoles analógicos tanto no PA como no Monitor para fazermos festivais, achei que quando ao lançamento das digitais profissionais isso não aconteceria mais, ache que uma console com uma ou mais cenas para cada banda resolveria o problema é simplificaria a vida na estrada
    Mas como cada marca lançou seu console com suas características próprias houve preferências por este ou aquele, resultado hoje temos grandes festivais com mais de 3 consoles DIGITAIS ligados no sistema um casal para cada banda.

    • Kadu Melo says:

      Tudo bem Paulo?
      Existem tantas coisas em um festival.
      Talvez não seria apenas o vício dos nossos colegar em determinadas marcas, mesmo sabendo que isso ocorre.
      Mas o multi-cabo, os sub-snake, os pedestais e microfones?
      Complicado não é mesmo?
      Mas o combinado nunca sai caro e por tanto um console seria possível para realizar uma noite com mais bandas.
      Um grande abraço!

  8. Tiago says:

    boa noite, um dos problemas que vejo na digital é que vários técnicos esqueceram do ouvido. Muitos só olham os gráficos de compressor, gate entre outros no visor da console e ja configuram. Antigamente tudo era na “unha”

    • Kadu Melo says:

      Querido Tiago. Infelizmente isso é mais comum do que imaginamos, e todos perdemos com isso, pois amamos ouvir um bom som.
      Essa tecnologia de enxergarmos deveria nos ajudar e não deixar mais pobre.
      Mas cada um faz o caminho que acha melhor.
      Espero que mude!

  9. morrison says:

    O digital trouxe outras vantagens além da cena, mas usar varias cenas exige um trabalho anterior que muitos não tem, mas se conseguirem usar esse recurso o resultado será melhor..

    Trabalho com audio e com iluminação. Na iluminação usamos muito o recurso de cena, sendo umas 20 cenas por musica, já no áudio eu não havia pensado nisso, já que trabalho menos. Ótima dica. Vou usar com certeza.

    O digital trouxe outras vantagens além da cena, mas usar varias cenas exige um trabalho anterior que muitos não tem, mas se conseguirem usar esse recurso o resultado será melhor..

  10. Kadu Melo says:

    Morrison , você disse uma grande verdade.
    A luz já vive desses recursos a muito tempo.
    Ter cenas em um único show depende também do espetáculo por completo. Não se pode fazer uma cena com um foco único no meio do palco se o nosso artista não respeitsr a deixa. Assim acontece com o som.
    Mas eu gostsria de saber os seus resultados na introdução a cenas no seu show.

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