Um dia com a SSL Live 500 – Por Kadu Melo

O mundo SSL em nossas mãos na estrada! Alguém um dia imaginou que isso seria possível?
Pois é, hoje além de possível, podemos fazer isso aqui no Brasil, eu pude conferir o que é esse tal som de SSL que grandes engenheiros do mundo dos estúdios sempre falaram.
E alem do som, suas peculiaridades como os bus compressor, tecnologia de processamento e os tão famosos prés da SSL 9000.

Live 5

Eu e Diego Moreno no Sound Check

Ultimamente tenho falado muito sobre o universo dos consoles digitais, principalmente sobre minhas impressões dos conceitos adotados por cada uma. Recentemente fui convidado a conhecer a SSL Live! Sem cerimônias já dirigi para o local do encontro: o Espaço das Américas (São Paulo-SP) em um evento maravilhoso sonorizado pela Gabisom, que preparou o ambiente do meu encontro coma SSL, o sistema usado no evento foi um  L’Acoustic V-dosc… não preciso falar nada sobre esse sistema, mas posso dizer ouvi e compreendi o que é esse sistema pode realmente render com uma SSL Live o alimentando. Ouvi muitos e bons engenheiros de gravação falando sobre a sonoridade SSL e sobre seus recursos, como o Bus Compressor, por exemplo, mas esse era o meu encontro! Poderia finalmente conferir como ela se comportaria em um cenário ao vivo.

Quem me acompanhou (e me salvou em várias questões!) durante o evento foi o Diego Moreno, especialista de produto da SSL Brasil. Sua experiência tanto em estúdio quando no ao vivo me levaram a várias ideias para alcançar o resultado final esperado.

Minha primeira impressão foi ótima! Logo de cara me deparei com uma superfície limpa e de aparência prática, decorada com uma tela Multi-touch de 19” no centro do console. Para completar o visual, a definição da tela multitouch é realmente espantosa ( as fotos passam um pouco disso ), acredito que se o show fosse na praia de Copacabana, numa house-Mix sem cobertura com o sol a pino eu ainda veria claramente os parâmetros dos canais nitidamente! Foi paixão a primeira vista, me aproximei decidido a descobrir o que mais me aguardava…

Tela Multitoque de 19″

Neste momento o Diego me tirou da minha paquera e ouvi a explicação que ele me passava ” Os faders estão agrupados em três “Tile” sendo que cada “Tile” tem cinco bancos e cinco layers. Ok… mas, como assim!? Calma, vou explicar…” Disse ele.

Live 2

Detalhe da foto mostrando os “Tile” que possuem 5 bancos com 5 Layers de fácil acesso.

O que a SSL chama de Tile são na verdade grupos de 12 faders, sendo que cada um desses grupos possui 5 bancos com 5 layers cada, todos 100% configuráveis. Em resumo, isso permite que em um único Tile você possa configurar 300 canais de processamento (Canal de entrada, master, STEM ( Mais adiante no texto eu explico o que é esse tal de STEM ) , DCA e em fim, qualquer parte do console pode ser configurado em qualquer desses faders, na seqüência que desejar! Como estava com meus míseros 48 canais deixamos espaço de sobra, o que me permitiu programar o console de uma forma muito confortável. Ficou mais ou menos assim:

No tile 3 (superior esquerdo) deixei apenas as saída, como os “STEM” Masters por exemplo. Não precisei mudar de banco nenhuma vez neste Tile.

No Tile 1 (central) configurei apenas 1 banco. Utilizei meus principais canais no Layer 1 e no Layer 2 de – novo os principais masters de saída..

No tile 2 (inferior esquerda), configurei no Banco 1, Layer 1 ficou toda a bateria; Layer 2 toda a Harmonia; Layer 3 ficaram os Pianos, Teclados e HD Recorder Alesis; Layer 4 estavam todos os canais extras, como DJ, Locutor, canal de volta do meu computador e outros mais.

Já estava satisfeito só por ter tudo em mãos, com fácil acesso e ótima visibilidade, mas muitas coisas boas ainda estavam por vir… O Diego Moreno me apresenta a tecla “Q”! Assim que apertei essa tecla, tanto nas entradas como nas saídas, o console deixou na superfície apenas os Masters e os Canais que estavam sendo utilizado pelo canal onde eu acionei a tecla “Q”, ou seja, a console me mostrou para onde o canal estava endereçado.

Segunda tela – Visor de 7,5 polegadas

Mais surpresas estavam por vir… me deparei com uma segunda tela de 7,5” (touch) a minha direita que me dava acesso a todos os parâmetros relacionados a um canal, seja ele de entrada ou saída, conforme o que eu tinha selecionado.

Nesta tela estavam PEQ, Dinâmicos, Mandadas de Auxiliares e outros endereçamentos, Controles de Pré de Entrada, Delays… em fim, era como se eu tivesse um Canal de Entrada ou um Master de Saída fisicamente!

Abaixo da tela de 7.5” estava localizado o canal Focus, nome escolhido para o canal selecionado, deixando sempre um canal completo, como se fosse um Canal com os parâmetros completos, como em um console analógico. A propósito, os Knobs tem um torque que proporciona uma precisão de 0,5dB ou menos e uma sensação de estar utilizando um hardware analógico. Tudo isso junto fez da experiência com esse console ainda mais prazerosa.

Antes de falar com mais em detalhes sobre a sonoridade deste console (que por sinal é sensacional) e suas peculiaridades, gostaria de falar de uma função que surpreendeu pela inteligência e funcionalidade: o STEM. Com esta função você lê e os utiliza canal de entrada como se fosse uma mandada de auxiliar, porém seus Masters aceitam que você mixe esses STEM entre eles ou ainda para qualquer outro Master!

Tela Stem #4

Na tela, a possibilidade de enxergar facilmente os endereçamentos <<< Não ficou claro este paragrafo
Por exemplo, para quem mixa monitor, você teria seus auxiliares, cada um dedicado a um músico. Utilizando os STEM você poderia, por exemplo, mixar a bateria no STEM 1 e enviar esse mix, como um só canal e da maneira que preferir, a cada um dos auxiliares. Essa função proporciona maior agilidade e facilidade para quem opera. Imagine o caso de uma Big Band. Você mixa os naipes de Sax no STEM 1, trompetes no STEM 2, trombone no STEM 3, e depois mixa em cada auxiliar esses naipes como se fosse um único canal! Isso é muito útil e deixa a operação muito mais dinâmica.


Parte 2 – Levantando o Som 

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