O Mito da Falta de Punch em Line Arrays – Parte 01

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Quando os primeiros line arrays começaram a aparecer, muitos mitos foram criados acerca dos mesmos. Vi muitas empresas grandes trabalharem sem front fiil, sem delays, sem coberturas sob balcões, tudo porque “o line cobre tudo; atinge desde a primeira fileira até a última, com o mesmo timbre e mesma pressão sonora”. Outro mito muito forte, e que ainda resiste, é de que os lines são bons para tudo. Em qualquer situação, coloca um line que vai resolver. Muitos técnicos têm a postura de “só faço se for line”, esquecendo que em alguns casos um bom point source seria muito melhor.
Claro que muitos desses mitos caíram, não para todos, mas para a maioria de nós.
Porém, um mito persegue os line arrays de uma forma implacável: o mito da falta de punch. Quantas vezes não ouvimos a célebre frase “prefiro as “KFs” a um line ao ar livre. Elas têm muito mais punch.”
Inicialmente, precisamos entender o que é punch. Tarefa difícil, diria…
Bom, eu não sei bem o que é o tal do punch, mas posso imaginar que seja aquela presença de médio-graves, bastante evidente em caixas tipo EAW KF850, com sua grande corneta à frente de um falante de 15”. Soma-se à isso um pouquinho (?) de distorção de segunda ordem e temos aí o tal do punch.
Felizmente, a distorção de segunda ordem diminuiu muito nos lines modernos, que apresentam uma sonoridade mais neutra e linear. Se o técnico insistir na distorção, pode utilizar um plugin ou algo que o valha para criar essa distorção. “Criar” um som não deve ser função dos sistemas de falantes; estes devem “reproduzir” o mais fielmente possível o som que recebe dos consoles de mixagem.
Mas e a tal da “presença”? Como conseguir?
Primeiro, precisamos entender como se comportam as baixas frequências, pelo menos as que nos interessam aqui, algo entre 100 Hz e 300 Hz.

Quando agrupamos uma quantidade considerável de falantes em uma linha, vamos aumentar a diretividade das baixas frequências nesta linha, com dois limitadores: para frequências muito baixas, cujos comprimentos de onda são maiores do que o arranjo, não teremos controle direcional. Podemos, por hoje, considerar essas frequências omnidirecionais. Por outro lado, quando os comprimentos de onda forem se tornando pequenos se comparados com os falantes, teremos cancelamentos indesejáveis. O que nos interessa agora é o que está entre estes dois extremos, ou seja, as frequências em que temos algum controle sobre a direcionalidade, sem cancelamentos indesejáveis. Digo indesejáveis porque alguns cancelamentos são bastante desejáveis. Digamos que, a grosso modo, são os cancelamentos que nos permitem direcionar as baixas frequências com mais facilidade do que com as cornetas imensas que seriam necessárias para lidar com grandes comprimentos de onda.
Voltando!
Muitos “engenheiros” de sistema e também muitos “engenheiros” de mixagem gostam de montar seus lines com as caixas completamente retas, ângulo 0 entre elas. Para que o sistema atinja grandes distâncias, evitando assim o uso de delays, os sistemas são montados bem altos e com o bumper reto (ângulo 0) ou quase reto, às vezes com uma pequena inclinação para baixo (negativa). Mas já vi casos com uma inclinação considerável para cima (positiva).
Lembrando que em alguns casos, precisamos de ângulos positivos para cobertura de balcões, mezzaninos e afins. Mas vamos desconsiderar estas hipóteses por hoje.

Vamos ver umas figuras interessantes de sistemas sem angulação entre as caixas e com o bumper em 0º?

Fig 1A_8cxR0

Fig. 1A: 08 caixas line array com falantes de 15”, todas a 0º, bumper em 0º, na região do punch. Um microfone na altura da audiência e outro no centro do array

 

Fig 1B_8cxR0FRup

Fig 1B: resposta no microfone do centro do array.

 

Fig 1C_8cxR0FRdw

Fig 1C: resposta no microfone da linha de audiência

Na segunda parte, veremos o que acontece quando angulamos algumas caixas para melhorar a cobertura vertical. Até já!
Aqui percebemos claramente onde está o punch do sistema! Em 125 Hz, a diferença é de quase 12 dB entre o plano de audiência e o centro do array. Ou seja, todo o punch do sistema está perdido onde não há audiência!
As frequências abaixo de 100 Hz praticamente não são afetadas pelo arranjo pequeno, mantendo-se quase omnidirecionais.
Na segunda parte, veremos o que acontece quando angulamos algumas caixas para melhorar a cobertura vertical. Até Breve.

Todas as figuras são do programa MAPP Online Pro – Stand Alone

 

   Abraços a todos!

     AR
Alexandre Rabaço

 

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Comments (11)

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  1. Kadu Melo says:

    Espero que essa matéria tenha a parte 2, 3 , 4, 5, 6 e todas!!!
    Obrigado Alexandre Rabaço.

  2. jean marcel says:

    Parabens pela matéria. No aguardo das próximas. Fica com Deus.

  3. Marcone cascão says:

    Sensacional explicão já estou indo para a próxima aula parabéns ótima matéria

  4. Flavio says:

    Excelente!

  5. Gilberto Assis says:

    Muito bom esse primeiro artigo, fácil de entender até para os mais leigos no assunto. Parabéns Alexandre.

  6. Marco Selotto says:

    Como a informação transforma!

  7. Alessandro Souza says:

    Excelente ! E disso que precisamos, conhecimento a alto nível !!! Obrigado .

  8. Dj Garam says:

    Parabéns, Ajudou e Muito, Que Deus Conserve a Todos…

  9. Railon Torres says:

    Com certeza muito bom! Imformacoes de alto nível !

  10. Parabéns, seria perfeito ter sempre as condições ideais para se montar um sistema para sonorização, mas infelizmente ainda há muitas locadoras de palco, que não montão palcos com a estrutura e dimensões de altura e suporte de peso para montagem ideal de um line x ou y, e muitas locadores de áudio não se atentam à isso, o resultado nunca fica satisfatório…por isso parabéns, falta de instrução nos dias atuais não, resume-se em falta de interesse.

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