A Função do Professor e a Geração Pendrive


Todos nós tivemos/temos aquele professor que “sabe tudo” mas não consegue transmitir aos alunos 10% daquilo tudo que sabe. E existem outros que não sabem quase nada e conseguem transmitir esse nada para todos!

Estude hoje antes que ....

Estude hoje antes que ….

Claro que é melhor aprender 10% de alguém que sabe muito do que 100% de alguém que não sabe nada, mas isso não vem ao caso agora…
Ser professor é estudar cada dia mais e mais, para ensinar mais e melhor aos alunos. A cada dia, a cada mês, a cada ano, a cada novo aluno, o professor precisa agrupar seus conhecimentos, seus estudos e sua técnica para repetir exaustivamente aquele texto, aquele caso, aquela matéria. E precisa fazê-lo com excelência, porque ali, naquele momento, naquele mundo, ele é o ídolo de cada aluno. E sempre vai haver aquele que vai levantar a mão e dizer:
Professor, o senhor pode explicar de novo? Não entendi aquela parte…
E lá vai o professor buscar do fundo de seus estudos e experiências, uma forma diferente de dizer a mesma coisa, para que aquele único aluno que não entendeu possa aprender. E assim o professor fará, a cada pergunta, a cada dúvida, a cada erro. Repetir, repetir, repetir…

Eu tive a sorte de ter bons professores; tive alguns poucos ruins também, mas a maioria deles foram de bons a ótimos. E fico aqui imaginando se estes meus ótimos professores tivessem, em algum momento, parado de lecionar porque já estavam cansados de repetir toda aquela matéria, que para mim e para meus colegas era novidade. Eles poderiam pensar: “hoje em dia existe a internet, milhares de livros, revistas. Os alunos que pesquisem e aprendam. Vou me aposentar…”
Para minha sorte, nenhum deles foi por esse caminho. Porque sabem que suas experiências, suas vivências, fazem a diferença na hora de explicar uma matéria, de resolver um problema; de aconselhar. E é isso que os alunos querem: a vivência do professor. Não existe site na internet, nem livro, nem revista que transmita ao aluno a vivência e a experiência pessoal de um profissional.

Às vezes fico olhando o que acontece nas redes sociais e até mesmo em conversas pessoalmente, e percebo em alguns colegas a “síndrome do copo meio vazio”. Muita gente está sempre olhando o mercado pelo lado ruim, julgando os novatos por um “código de conduta” ultrapassado e injusto. E colocando sua experiência acima das dos demais e como a mais edificadora de todos os tempos sem, contudo, passá-las aos mais novos. Ficam com aquele discursinho de “no meu tempo não tinha nada disso e eu aprendi correndo atrás”. Ótimo! Parabéns! Mas só porque nós somos “daquele tempo” vamos obrigar os colegas que estão chegando a passar por tudo isso? É este comportamento que vai elevar o nível do mercado e da mão de obra? Ou seria melhor que ajudássemos à essa turma, tornando-os profissionais de verdade, com tudo aquilo que desejamos para nós mas “naquele tempo” não era possível? Vamos mesmo obrigar aos novatos a carregar caixas de som, racks, cases de cabos e outros ítens pesadíssimos só porque “na nossa época” era assim? Quantos de nós têm o corpo castigado por conta destes abusos? Só porque nunca mixaram em uma console analógica estão fadados ao fracasso? Porque nunca ouviram uma “W-qualquer -coisa”, copiada mal e porcamente, com falante Novik WNXX (!) nunca saberão o que é um “sonzão”? Francamente…
É isso mesmo que queremos para nosso mercado? Como vamos estar daqui a 10, 15, 30 anos?
A geração pendrive está aí, com sangue nos olhos e a faca nos dentes. Alguns são fracos e vão desistir no meio do caminho. Mas muitos são talentosos, interessados e vão dominar o mercado. Se transformarão em excelentes profissionais e , em algum momento, vão ser os “professores”. Igualzinho ao nosso tempo, não é mesmo? E qual será o exemplo que deixaremos para estes novos colegas? Seremos seus professores, seus ídolos, seus formadores ou vamos ser “os velhos que não queriam ensinar?”
Sempre me lembro de uma frase de um dos grandes professores que tive:
– Quando um profissional não te diz algo, não é porque ele está “escondendo o jogo”. É porque ele não sabe…

Senhores, vamos receber nossos novos colegas despidos de preconceitos e sem aquela “marrentice” desnecessária. Quem sabe assim aprendemos alguma coisa com eles?

Abraços a todos!

      AR
Alexandre Rabaço

Agradecimentos ao meus Professores

PS.: preciso agradecer publicamente aos meus grandes professores, que foram determinantes na minha carreira no áudio e nunca deixaram de me explicar nadinha, mesmo que para eles fosse uma bobagem:
Sólon do Valle, Carlos Pedruzzi, Fábio Henriques, Luiz Tornaghi, Antonio Carlos Roldão, Mayrton Bahia, Carlos Martau, Oscar Barrientos, Fernando Fortes, Marcio Werderits, Florência Saravia e Denio Costa, que foi o primeiro cara que eu vi mixar com técnica e arte e me fez ter certeza de que era isso que eu queria para minha vida. (Acho que nunca falei isso pra ele…).
E também a todos os colegas de estrada que, com suas mais diversas experiências, me ensinam diariamente um pouco de tudo, inclusive como ser um profissional melhor e mais tolerante.
Ah! E a todos os meus alunos, que me fazem estudar cada dia mais para não passar vergonha com aquela perguntinha FDP!

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Comments (4)

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  1. Anderson Cedraz says:

    “Quando um profissional não te diz algo, não é porque ele está “escondendo o jogo”. É porque ele não sabe…”

    Isso, para nós iniciantes, soa como música, boa música…

    Valeu, Alexandre!
    Valeu, Lazzaro!

  2. Adriana Viana says:

    Muito bom!!!
    Estamos chegando com sangue nos olhos e a faca nos dentes como vc disse !!!
    Infelizmente hoje em dia quase não temos acesso à fita de rolo nem às Boas mesas analógicas , mas estamos estudando e buscando o melhor proveito da tecnologia e novidades do mercado!!
    O que seria de nós iniciantes sem os grandes professores ein??

  3. Denio Costa says:

    Conseguiu me emocionar. Agora te admiro mais ainda. Parabéns!

  4. Daniel Seraphim says:

    Parabéns pelo texto!!

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