No calor da noite: Termodinâmica de um Show – Parte II

Seguindo a sequencia cá estamos com a segunda parte do texto “Termodinâmica de um Show” depois da leitura da primeira parte notamos que muitas vezes aceitamos situações como NORMAIS porque elas acontecem rotineiramente mas não nos preocupamos e ENTENDERMOS o porquê  e a causa. Mas o conhecimento é o diferencial daqueles que se destacam. Boa Leitura a todos. Para quem não leu a primeira parte deste texto CLIQUE AQUI

Tempo & Velocidade
Se tudo o que foi dito até agora não lhe pareceu o suficientemente complexo. O que voçe acharia de descobrir que a velocidade do som NÂO é constante. Pois esse é o mundo rea,l quando o ar ficar quente ( mais denso ) o som viaja mais rápido. Em ambientes  úmidos, o som viaja mais rápido. Ao nível do mar ou abaixo dele o som viaja mais rápido. Parece uma cena de velozes & furiosos mas na verdade 340 m/s é somente uma convenção matemática.

Isso significa que um show na praia no calor de um Rio a 40 graus vai ter o som, possivelmente, até  8 por cento mais rápido do que um show em Curitiba num frio de 8 graus e pouca ou nenhuma umidade. Aparentemente pelo que voçe leu e entendeu até agora mesmo com as várias camadas termais em um grande espaço com a platéia lotada, os pequenos desvios de velocidade não irão causar muitos problemas, exceto talvez recalibrar algumas vezes durante o show as torres de delay.

Para o som direto do PA  para os seus ouvidos ( Campo Direto ) , isso realmente não importa muito. O que importa é o que acontece quando o som direto combina com som indireto que ricocheteou em  uma parede e/ou outra superfície.

No começo do dia durante o soundcheck , na sala vazia tudo soa bem, normalmente muito tempo foi gasto análisando e equalizando o sistema de áudio com equipamento de teste complexo e claro tudo isso com o objetivo de obter do sistema a melhor resposta para aquele ambiente.

Então chega a noite e lá vem as pessoas com o seu bendito calor humano, risos. Suando, gerando calor e enchendo a sala de umidade, como resultado temos uma  aceleração das ondas sonoras. Agora todas as ondas sonoras estão chegando mais rápido, tanto os sinais diretos como os indiretos ( reflexões ).

Com isso, as frequências que no início do dia estavam todas ajustadad em fase, podem agora estar fora de fase devido ao aumento de velocidade das ondas sonoras o que pode estar estragando o seu alinhamento. Mas esse pode não ser a única questão causado pelo aumento de velocidade das ondas sonoras.

Imagine um concerto ao ar livre com o ar fresco da noite passando por  cima de milhares de seres humanos aquecidos saracoteando alegremente embalados pela sua mix.  Eis que ocorre o que chamo Camada de Inversão  que na verdade é Isto é chamado de inversão térmica, o ar mais quente sobe, e o ar mais frio desce. As ondas sonoras projetadas pelos alto-falantes viajam a uma velocidade mais lenta através do ar frio e aceleram ao encontrar o ar mais quente.

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À medida que as ondas sonoras passam pelo ar quente, são aceleradas e quando ocorre a inversão térmica elas sofrem uma refração ou seja ela muda levemente o seu ângulo para cima. Este fenômeno térmico causa nas ondas sonoras uma espécie de flexão ou de refração que é semelhante a que faz a luz para formar uma miragem no calor do deserto.  O aumentos no ângulo de incidência  ( suspender e inclinar o PA  ) reduz os efeitos negativos dessa refração. Hummm descobrimos porque se içam e inclinam os PA’s

Sou Uma Criança, Não Entendo Nada
Cá entre nós mixar em  ambientes quentes e úmidos podem ser uma aventura algumas vezes inesquecível. Já no frio, pode ser literalmente uma dureza, agudos soando  muito brilhantes e ásperos  até.

Na minha opinião um ambiente aquecido de uma boa sala , acelerando o som, aumenta a conexão entre o artista e sua plateia todos imersos no calor da performance.

Olhando para tudo que explanamos até aqui: As três questões de termodinâmica discutidas neste texto Absorção, Direção e Velocidade podem vir combinadas, mas no momento que temos o conhecimento aliados a experiência podemos encarar o desafio de outra forma. Mas alguns conceitos devem ser bem esclarecidos.

1) As variações de umidade são sonoricamente mais toleráveis em ambientes de umidade mais elevadas.

2) Uma temperatura uniforme em todo ambiente sonorizado séria o cenário ideal.  Mas a variável humana presente tanto atrapalha como ajuda, só nos resta esperar que o ambiente estabilize sua temperatura para que o som fique estável.

3) Um espaço fechado com temperatura ambiente externa quente  irá elevar seu nível de umidade, mais rapidamente, que um com baixa temperatura externa, mesmo com a variável dos “humanos”

4) Içar o PA ( modo fly ) é muito vantajoso para evitar todos os fenômenos descritos neste artigo.

5) Mixar um show numa FOH / House Mix que esteja acima ou na linha de inversão térmica dá ao operador uma representação imprecisa do que a platéia que esta abaixo dessa zona escuta.

6) Locais com variações drásticas de temperatura e umidade tendem a ter respostas complexas e imprevisíveis.

7) Não importa o quanto você  teste ou alinhe o seu sistema , uma parte considerável do sonoridade do show é controlada por fatores ambientais que estão mudando constantemente. Saber o que eles são é o primeiro passo para ser capaz de lidar com os  mesmos de forma eficaz.

8) Um termômetro e higrômetro podem ser ferramentas úteis para acompanhar e entender mais sobre como os fenômenos termodinâmicos estão afetando o som do seu show.

Um dos meus momentos favoritos da mix de um show é a previsão e mesmo a  antecipação de como o sistema irá soar na  primeira música, o tom, o volume, por mais experiente que eu tenha esse momento é sempre uma surpresa. O momento em que a primeira banda entra no palco é um dos maiores desafios que enfrenta qualquer operador de som. Neste momento todo seu conhecimento somado com as ferramentas que ele tem mão  são a chave para ele obter uma  mix e chegar a um resultado claro e preciso. Esta  não é uma tarefa fácil.

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Cada show apresenta uma paisagem sonora única, e é essa singularidade, que a interação entre as tantas variáveis ​​que podemos e as  que não podemos controlar, que faz com que cada show seja uma peça  única, uma experiência memorável e um momento  potencialmente mágico.

Nos cruzamos por ai , na estrada

Autor: Dave Rat é co-fundador e proprietário da Rat Sound, uma locadora de localizada na Califórnia.
Este texto é uma tradução livre

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