No calor da noite: Termodinâmica de um Show – Parte I

FOH Mix Grammy MikaelStewart e RonReaves

FOH Mix Grammy MikaelStewart e RonReaves

Quem de nós que trabalhamos com som ao vivo que não passa incontáveis horas prestando atenção a cada detalhe na cadeia de sinal de áudio – comparando, ponderando, decidindo todas as questões que cruza o nosso caminho.

Será que o som deste console de mixagem é melhor? Preciso mesmo pagar um extra de R $ 2.000 em um compressor para o vocal ? Você pode por favor posicionar o microfone guitarra dois milímetros para a esquerda? O Phantom Power realmente arruína microfones de fita? Uma pergunta persiste, no entanto: pra que tanto esforço mental ?

Como achar a  perfeição no caos
Parece que um sistema de PA içado ( fly ) sempre soa melhor do que o mesmo sistema montado empilhado ( stacked )? Porque ele sempre parece mais brilhante quando você está na house mix? Você já notou que um mesmo sistema montado em um local soa diferente de uma noite para outra, mesmo quando você não mudou sequer um reparo de drive no sistema ? Todas estas coisas podem ser parcialmente ou completamente explicadas pela compreensão da termodinâmica de um show.

Além disso, armado com esse conhecimento, você pode tomar decisões de configuração e de mixagem que podem resultar em um ganho de qualidade que as pessoas que frequentam o show irão realmente notar – ao contrário de mexer num hiper mega compressor valvulado ou a cópia dele num plugin ambos extremamente caros mas que o público em geral não nota nenhuma diferença.

Este não é um artigo científico salpicado com equações, existem muitos desse género por ai que não acrescentam muita coisa ao leitor mediano. Meu objetivo aqui é apresentar estes fatores complexos como conceitos compreensíveis que irão ajudá-lo como técnico / gerente de sistema para otimizar o som em um local.

Em minha mente, para manter as coisas claras, eu dividi este artigo em  três categorias relevantes :

● Questões relacionadas com a absorção de Sonora.
● Questões relacionadas com direcionabilidade Sonora.
● Questões relacionadas com velocidade do Som

Umidade e Absorção
Isso lhe soa familiar? O show começa, o som está áspero e você como a ajustar  as altas frequências , estranhamente, após 30 minutos de show tudo começa a se encaixar e soar bem como você tinha checado durante a passagem de som.  Então você percebe que na verdade  não alterou muita coisa na sua mix. Existe um motivo real para que este fenômeno ocorra e não foi a banda que encontrou a “batida perfeita” no palco.

Em ambientes secos, variações relativamente pequenas nos níveis de umidade vai ter um efeito muito mais pronunciado no som do que o mesmo percentual de variação em altos níveis de umidade. Em outras palavras, num local com umidade muito baixa (0 – a 5 por cento), o som tende a ser mais brilhante. Então, como os seres humanos ( plateia ) aumentam a umidade, o som vai ficar abafado ( sem altas ) até um certo ponto.

No entanto, para além de 30 por cento de umidade ou mais,  podem também fazer com que o som fique mais brilhante e se estabilize. A atenuação por umidade é dependente da frequênciae, e  é mais drásticamente percebidada entre 5 e 30 por cento e os níveis de umidade afeta principalmente frequências de 2 kHz para cima.

crowd 700

Reflexão e Refração

Quem quando criança ou mesmo adulto nunca  jogou pedras lisas para elas quicarem  na superfície  de um lago ? Sem muita física envolvida aprendemos a técnica que se resume em velocidade e ângulo de incidência, todos aprendemos na prática que jogando muito devagar e/ ou se o ângulo que jogamos a pedra for muito reto ela afunda e não quica. Bem, curiosamente, a “PEDRA”no show é o som que  tem um comportamento semelhante. E  a plateia é o nosso lago, na verdade não a plateia mas sim o bolsão de vapor que se forma sobre ela. Pense nesse cenário o show começa as pessoas começam a se juntar na frente do palco de do PA , todos começam se agitar ao ritmo da musica, literalmente falando um “calor humano” é gerado , e mesmo que não enxergamos bolhas de calor saem da platéia , fazendo com que nossa pedra ( o SOM ) quique algumas vezes.

Creio que todos da área já sabem que:  Que o som já tem a parte de sua energia perdida  à medida que viaja a cerca de 1.200 metros por segundo, de modo que  se melhorarmos o ângulo de incidência vamos ganhar alguns dBs no final das contas, por isso que devemos sempre içar o PA. Todos devem recitar o mantra ” O PA sempre deve ser içado com ênfase no içado (FLY).

Temos no mínimo 2 razões para convencer qualquer contratante e ou decorador de evento que pendurar as caixas é melhor que empilha-las: Primeiro as caixas penduradas simplesmente saem da linha de visão do público e segundo melhoram a cobertura sonora da plateia, lembra da explicação acima sobre ângulo de incidência, o som é pra ser ouvido, e a orelha para os que ainda não perceberam elas ficam na cabeça e não no peito ou mais abaixo.

Na verdade, há várias coisas acontecendo simultaneamente  num show e que se combinam em diferentes níveis para criar o mesmo resultado. O som sofrendo absorções a cada bolsão de umidade que flutuam sobre a plateia parece ser o mais óbvio, e de pé na house mix  um pouco mais alto que todo o resto você pode notar essa diferença.

Se o público está suado o suficiente para criar uma região mais densa e  úmida ao seu redor do que o ar mais acima de suas cabeças, de tempos em tempos irá ocorrer o fenômeno de troca térmica( voltando a física o ar quente é menos denso e por isso ele tende a subir )  em seguida, o som que atinge essa camada vai saltar ( refratar ) , não muito diferente à pedra quicando sobre o lago.

Mas esta é uma questão de velocidade para entender clique aqui Parte II.

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Este texto é uma tradução livre
Autor: Dave Rat é co-fundador e proprietário da Rat Sound, uma locadora de localizada na Califórnia.

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