Os 7 erros mais comuns dos usuários de Sistemas sem fio

 

Wicked Musical da Broadway - Wireless Rack

Wicked Musical da Broadway – Wireless Rack

Quando se trata de sistemas sem fio especialmente no mercado de entretenimento, não é raro ouvir uma grande variedade de opiniões, ideias, “FATOS” e metodologias sobre técnicas de montagem e uso de sistemas sem fio. As teorias vão de pura adivinhação a rudimentos de física quântica. E muitas vezes, essas noções ou estão bem longe da verdade ou estão completamente erradas.

Tendo trabalhado no ramo de telefonia móvel por vários anos, eu já ouvi a minha quota de bobagens. Aqui estão alguns dos equívocos mais comuns:

1. A antena direcional “raquete” ou “asa de morcego”. A maioria pensa que este modelo de antena é necessária em todos os sistemas. Claro, uma antena direcional pode ser uma boa ideia – e até mesmo uma grande ideia – dependendo da aplicação. No entanto, o que muitas não sabem é que podemos tirar o melhor de uma antena direcional quando entendemos o seu funcionamento. Explicando melhor, ela “ATIRA ou CAPTA” para frente do seu lado “menor” e o lado maior que é a parte de trás tem pouca ou nula eficiência. Entendido essa característica apontamos o nulo da antena para os sinais que queremos rejeitar como por exemplo torres de transmissão ou outras fortes fontes emissoras de RF. O correto é apontar a antena para o artista ou banda.
Deste modo, a relação sinal-ruído de RF é aumentada. Mas somente apontar a antena para o alvo não levando em consideração o ganho proporcionado pela antena pode surtir efeito contrário, ou seja, aumentar a relação sinal ruído juntamente com o aumento do sinal do transmissor.

2. Usar amplificadores de potência de RF “boosters” para o sistema de antena dá maior faixa de operação “RANGE” . A única razão para usar booster de RF em um sistema de antena é compensar as perdas de sinal nos cabos de antena. Simples assim. Para determinar se o uso de um booster é necessário, considere que as antenas direcionais têm cerca de 4 dB de ganho passivo. Usando um cabo de baixa perda, como o 9913F7 (Belden), para uma extensão de 100 metros, há apenas cerca de 3 dB de perda em 600 MHz. Neste cenário o uso de booster não é necessário.

O objetivo num sistema de RF bem projetado é de se ter ganho unitário entre as antenas e receptores. Geralmente muito reforço / ganho no mundo de RF é uma coisa ruim. Em primeiro lugar, os receptores são concebidos para não aceitar mais do que um determinado nível de sinal. Um nível de sinal de entrada muito quente pode “dessensibilizar” os receptores, na verdade até mesmo reduzindo seu alcance. Em segundo lugar, sistemas simples (passivos) são sempre a melhor opção para um sistema de antena. Quanto mais estágios de ganho no sistema receptor, mais oportunidades para geração de sinais IM (intermodulação) indesejados.

As pilhas usadas podem criar arte, mas também criar um monte de lixo. (Clique para ampliar)

As pilhas usadas podem criar arte, mas também criar um monte de lixo. (Clique para ampliar)

3. Usar uma determinada marca de bateria faz uma diferença sensível no “range” e / ou áudio. Mito ou Realidade ? Meia Verdade, mas ser fiel a uma marca que lhe dá resultados consistentes e confiáveis é uma boa pratica. No entanto, quase todos os transmissores modernos utilizam conversores CC-CC para que possam funcionar de forma consistente até que as baterias literalmente morram.
Algumas baterias podem durar mais tempo do que outras, mas pelo menos para as duas principais marcas (Energizer e Duracell) é difícil medir muita diferença em situações de uso normais.

4. As baterias recarregáveis ​​não funcionam bem nos microfones sem fio. Isso era verdade antigamente, quando as baterias NiCad foram literalmente um show de horror. Elas desenvolviam efeito memória muito rapidamente, e raramente forneciam tensões próximas a qualquer marca decente de pilhas alcalinas. Mas as novas tecnologias empregadas nas novas gerações de baterias, como as NiMH, por exemplo, são muito boas.

Para o uso de baterias recarregavéis um processo de gerenciamento de bateria precisa ser posto em prática, dito isto, estes procedimentos devem sempre serem seguidos por todos os usuários, pois ele é vital para evitar pequenos desastres, e a manutenção dos packs de baterias deve ser constante controlando o rendimento de cada um deles.

5. Migrar para o digital vai resolver resolve todos os teus problemas ? Um QUASE sim para este tópico: é ótimo ver como a digital vem se desenvolvendo nos últimos anos.
Mas quais problemas os digitais irá realmente resolver? Provavelmente, a maior é a qualidade sonora. Desde a criação dos companders analógicos como solução para os circuitos de RF nós criamos uma geração de “efeitos nocivos” no áudio. Podemos debater o dia inteiro sobre quais sistemas de compander soam melhor, mas isso é em grande parte uma questão de gosto pessoal com base nas nossas referencias pessoais.

Dito isto, o áudio digital em microfones sem fio realmente faz a diferença. Sem o compander se sem o processo de pre- e de-emphasis no processamento do sinal, o resultado final é muito menos distorção na saída de áudio.

Mas o que digital não irá fazer é mudar as leis da física. Nós ainda precisamos processar o espectro de áudio, como sempre fizemos. No entanto, existem maneiras de embalar os fluxos de dados e usar compressão de dados, por isso estamos conseguindo utilizar mais canais de transmissão com o digital do que com o analógico.

Basta lembrar a triáde da engenharia de RF: neste contexto, longo raio de cobertura, uma boa qualidade de áudio, e grande quantidade de canais. Escolha dois itens da lista, porque você não pode ter todos os três em um único sistema.

6. Sistemas VHF têm maior faixa de operação do que os modelos UHF. Claro, havia provavelmente um tempo (talvez na década de 1990), quando isto era verdade, porque os sistemas UHF estavam apenas sendo implementados. Mas nos dias atuais, as dimensões práticas das antenas de VHF restringem o tipo de desempenho que pode ser alcançado com sistemas VHF.

Particularmente, quando falamos de transmissores, o tamanho da antena faz a diferença. E esta eficiência da antena é baseada no tamanho e sua relação ao tamanho das ondas a serem transmitidas. É por isso que as antenas VHF são bastante grandes. A antena 1/4 de comprimento de onda na banda UHF mede de 7 a 10 centímetros – um tamanho prático, e elas são bastante eficientes. Devido a isto, os sistemas UHF de hoje geralmente excede largamente a quantidade dos sistemas de VHF.

7. Existe algum tipo de “Macumba” ou “Magia Negra” para colocar vários sistemas de sem fio para funcionar em connjuto. Eu ouço isso mais vezes do que qualquer outra coisa. Francamente, se trata daqueles que não aprenderam os fundamentos, continuando a trabalhar no chutômetro ou mesmo contando com a sorte. Sinceramente com o espectro de RF local essa abordagem não funciona mais, se for um evento sério contrate um bom profissional de RF.

Mas dominar as noções básicas da transmissão sem fios não é mais difícil do que entender a cobertura de um alto-falante e/ou caixas acústicas, estrutura de ganho de um sistema e dimensionar a necessidade de consumo elétrico de um evento, coisas que devemos saber se queremos ser reconhecidos como profissionais. Além disso, uma grande quantidade de software faz todo o trabalho braçal de cálculos matemáticos, com a ressalva de que todo software é tão bom quanto o usuário que o usa.

O outro lado da moeda

Para contra balançar a lista de equívocos acima, irei listar um conjunto de práticas para os usuários de sistemas sem fio. Esta lista foi desenvolvida ao longo de muitos anos, e é a base que eu dou nos treinamentos sobre a configuração adequada e utilização de sistemas sem fio.

1. Desenvolver e implantar um processo consistente de trabalho, baseado em ciência sólida e experiência. Isso exige aprender os fundamentos, o entendimento de como equipamentos funcionam por dentro e por fora. A consequência será ganhar experiência colocando os seus conhecimentos em coisas práticas.

Não há um procedimento que digamos que seja o “CORRETO”, cada um deve desenvolver o seu próprio método. No entanto, deve sempre começar com o posicionamento da antena do sistema, e então os receptores e ou transmissores (varredura e coordenação de frequências), seguido por testar e conferir o ganho de saída do transmissor. Seguindo uma sequência como esta você estará num bom caminho.

2. Aprender, compreender e utilizar um software coordenação de frequências. Como já foi dito antes, o software é tão bom quanto o usuário que o opera. Você provavelmente vai querer personalizar as configurações para se adequar ao seu estilo de trabalho, e / ou com base em suas experiências em campo.

Muitas vezes, os programas têm padrões que são bastante conservadores, e você vai ser capaz de obter mais canais coordenados pelo relaxamento de alguns deles. No entanto, muito depende da qualidade dos componentes do sistema e do cuidado com que o sistema foi montado.

3. Compreender os fundamentos básicos de RF comuns a todos os sistemas de microfone sem fio, sejam eles analógicos, digitais, de faixa de operação de 472 MHz ou 2,4 GHz. Mais uma vez, não existe fórmulas mágicas. Certamente haverão inovações acontecendo no setor de RF, como existem novidades no mercado para alto-falantes, amplificadores e consoles. Mas, assim como para as outras áreas, ainda se aplicam os fundamentos básicos. Não há fórmulas mágicas.

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Zona de Fresnel

4. Posicione suas antenas do receptor a 3 metros de altura e a 3 metros de seu outro par “diversity“. Há realmente uma regra matemática por trás disso (nomalmente há matemática por trás de tudo!), mas vamos apenas dizer que, com antenas de recepção a 3 metros do chão , não há melhor condição de linha de visão entre transmissores e receptores, e esta medida minimiza os efeitos do chão e outros obstáculos na “Zona de Fresnel“.

Quanto ao par de Diversity, o espaçamento mínimo é muitas vezes considerado o comprimento de onda, que funciona a cerca de 30 a 60 cm para sistemas UHF. No entanto, tem-se demonstrado que a máxima vantagem de pares de antena de “diversity” pode ser conseguida com um espaçamento maior. Uma regra de ouro a ser sempre seguida é colocar uma antena em cada lado do console monitor.

5. Mantenha receptores e antenas o mais perto dos transmissores possível. Isto é parecido com as técnicas de microfonação: basicamente tudo esta ligado à relação SINAL / RUÍDO. O ruído de fundo é relativamente constante, embora muitas vezes você não possa localizar as fontes de ruído. Ao colocar antenas próximas à fonte desejada (transmissores), você está aumentando o sinal desejado sobre o indesejado. Apenas atente para a perda do cabo da antena.

6. Entenda que todos os fabricantes de sistemas de qualidade têm suas próprias maneiras de fazer as coisas, e ninguém é intrinsecamente “melhor” do que qualquer outro. Todos eles funcionam bem. Aprenda a entender as peculiaridades de cada um sem desmerecer os outros. Se você está pagando RS$ 1200 a R$ 2000 (ou mais) por canal de wireless, nenhum deles será ruim no fim das contas.

No entanto, as habilidades do operador pode fazer a diferença ou mesmo gerar o caos no desempenho de um sistema, isto baseado nas configurações, coordenação de frequências e outros fatores relacionados e feitas pelo dito profissional. Um bom profissional pode fazer com que um sistema de componentes sem fio de mil reais trabalhe muito melhor do que um curioso com um equipamento de R $5.000. Na verdade, os sistemas mais caros têm vantagens, como melhor filtragem, muitas vezes melhor qualidade de som, mais opções de frequência, e, provavelmente, melhor durabilidade e confiabilidade. Mas ainda leva vantagem os usuários que sabem o que estão fazendo para tirar o máximo proveito dessas vantagens.

7. Supere a insegurança geralmente associada com o uso de equipamentos sem fio. Siga os passos descritos aqui e você será muito mais confiante na: especificação, instalação e utilização de sistemas sem fio. Meu objetivo é que todos nós saibamos trabalhar bem com os sistemas sem fio para acabar com a imagem de que sistema sem fio é o primeiro culpado quando há barulho ou outros problemas em um sistema de som.

Esse é um objetivo que vale a pena, não concordam comigo?

Karl Winkler é diretor de desenvolvimento de negócios da Lectrosonics e trabalhou em áudio profissional há mais de 15 anos.

Tradução e Revisão

Fernando Fortes
Sound Designer
contato@fernandofortes.com.br
mobile: 55.19.8153.9854
Nextel: 55*89*10777

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Filed Under: ArtigosLazzaro

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