Uma verdadeira aventura no B do Vice-Versa…

AMPEX AG 440 - Multitrack Record ( 4 channels )Vamos acompanhar a aventura de se gravar em 4 canais, pensar isso nos dias atuais de ProTools pode até parecer impossivel, mas foi assim que a industria fonográfica começou. Vamos acompanhar o Farat em mais essa aventura.

Bem no início dos anos 80 no estúdio Vice-Versa, o Fernando Telji que era produtor do estúdio na época me disse: vamos produzir um disco com o Pedrinho Batera (Som Nosso de Cada Dia)… No estúdio B!!! No B???!!! Fiquei apavorado! Como gravaria o Pedrinho no B, sabendo que vinha chumbo do grosso na arregimentação? Na época, o B do Vice-Versa tinha uma mesa Teac 16 X 4, uma Ampex AG 440 de 4 canais, monitores JBL não me lembro o modelo e alguns bons microfones. Bom, o primeiro passo foi roubar a bateria do estúdio A, uma Pearl Wood Fiber zero, na caixa (como gravamos no período da madrugada ficou mais fácil driblar a diretoria… me perdoem, confessei o delito depois de 20 anos!!!), pra garantir o som da cozinha. A arregimentação era “apenas” Nico Assumpção e Zé Português nos baixos, Egídio Conde e Ivo Carvalho nas guitarras, Ricardo Cristaldi nos teclados e arranjos, Bocato e a galera toda da Metalurgia nos metais, Caio Flávio, Marcinha e cia nos vocais e o Pedrinho na bateria, percussão e vocal solo, é claro. Gravamos todas as bases mixadas direto em dois canais e todos os complementos nos outros dois restantes da velha Ampex AG 440. O próximo passo foi mixar tudo isso pra fita de ¼ num Revox A700 e devolver as mixes para a máquina multitrack. Ok tínhamos bons instrumentais gravados em dois canais, uma base suficientemente boa para as tomadas de voz solo e vocal nos outros disponíveis. Gravadas as vozes, tudo pronto para mixar…! Apenas um detalhe: na hora da mixagem colocamos todos os metais dentro do estúdio, o Ricardo Cristaldi com o Mini Moog e o Ivo Carvalho com a Les Paul dentro da técnica; todos tocando real time com a mix!…Rs. Foi mais ou menos essa a insanidade para gravar o “Bananas”, “Lixo per Capta”, “Pra Swingar”, etc… Na época saiu um compacto duplo pelo selo Royal. O Pedrinho e o Nico já não estão entre nós, mas essa aventura está perpetuada na minha cabeça!

Abraço do Farat!!!

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Filed Under: ArtigosPaulo Farat

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Comments (4)

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  1. Paulo Farat says:

    Eu acredito que o Oswaldo Malagutti tenha isso em tape… O selo Royal era de propriedade do Mosh!!!

  2. Ricardo Nolf says:

    Farat, boas!!
    Fala aí + ou – quantos takes rolavam pra cada música..esse pessoal era bem “objetivo”..
    Abraços

  3. Farah,
    Gostei. Bom eu tô juntanto o material do Nico para melhor divulgar no site dele. Vc tem mais alguma coisa ou dar algum depoimento sobre ele?
    Vc tem esse disco?

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