Muita calma nessa hora de Paulo Farat

Mais um dia de tour da sua banda predileta e lá vai você pro aeroporto cheio de vontade de fazer um belo som e se divertir um pouco… maravilha!!!… (nem sempre…). Quando chega no aeroporto descobre que não tem teto pra voar e que o seu aviãozinho vai sair com duas a três horas de atraso!!! Bom, o remédio é tomar um café e aguardar pacientemente o horário de embarque. Quando finalmente o vôo decola, normalmente a cabeça já está trabalhando a mil pra montar o esquema da passagem de som, porque provavelmente vai rolar aquela “ficada direta” no local do show compensando o atraso da viagem… Sem falar nos nem sempre apetitosos lanches servidos durante o vôo, vamos direto ao assunto… Tudo certo no local do evento, palco bonito, ainda existe tempo pra montar tudo, aquele Sol maravilhoso, todo mundo de bom humor na equipe… Aí começa o show de horror: Quando o gerador é ligado, parece que o caminhão está em cima do palco… socorro!!! Vamos lá, ver quantos metros de cabo os caras tem pra levar o gerador pra muito longe de onde ele está… Bom, depois de uns quarenta minutos de trampo pra levar o gerador pra longe, na primeira palavra no microfone depois de tudo montado você toma um susto de alguns volts na boca e descobre que tem 120 volts na estrutura do palco, porque o aterramento é deficiente ou simplesmente não existe!!!… Ok, depois do atraso do vôo, do gerador e do primeiro choque, você fala (depois de uma breve reflexão sobre estar ali naquele momento): é hoje, muita calma nessa hora… E na verdade o problema do técnico de monitor não é nada, é só olhar pra house mix e ver o desespero do cara do PA porque o equipamento está no local mais surreal possível… A cena é sempre a mesma: oito caras em volta de um maluco com um laptop em uma mão e a malinha na outra, mandando um discurso incrível pra convencer a galera a mudar a mesa de lugar, pelo menos para onde ele consiga ouvir sua mixagem e garantir o sucesso técnico do evento…rs. Em todos esses anos de estrada, a infra-estrutura dos eventos está cada vez melhor, mas sempre esteja preparado para em algum momento da tour ter “um dia de cão” e passar por isso se divertindo. É incrível, mas sempre dá certo no final… A fórmula “conheça muito a banda + coloque tudo que aprendeu na vida + tenha uma equipe unida + seja o cara mais calmo do mundo = um show como todos os outros” é importantíssima num momento desse tipo (não me lembro de nenhum show cancelado, por mais problemas que tivéssemos que enfrentar no dia). Converso sempre com os caras de monitor pela estrada e o roteiro é o mesmo, por mais que pareça, e de certa forma, seja errado: nos dias em que não se passa som, cheio de problemas, chovendo e etc, o show sempre é bom!!!… Quantas e quantas vezes rola aquela passada linda e quando chega a hora do show muda tudo, as pessoas enlouquecem (e te levam junto…rs), fica todo mundo olhando pra você e perguntando porque a mixagem está toda alterada, os in-ears saindo do ar, um maluco com o som ligado no máximo na tenda eletrônica do evento, etc…!!!. Eu particularmente adoro o esquema de trabalho no qual os roadies dão conta do recado muito bem no palco e quando os caras da banda chegam na hora do show, botam os in-ears na orelha, um sorriso na cara e mandam bala… Na verdade, muitas bandas trabalham assim hoje em dia, e depois dos in-ears (e de uma certa maneira um bom padrão e unidade das empresas de áudio) essa maneira de trabalhar ficou muito mais tranqüila, pois o resultado é sempre parecido na mix final de monitor, e com a banda descansada um mês de oito shows pode na boa, virar um mês de vinte e dois!!!…rs.

Paulo Farat

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